pra não ficar na gaveta

segunda-feira, maio 31, 2010

 
tenho um medo terrível de cegar, ela me disse, e desligou o telefone se abraçando debaixo das cobertas. fazia frio demais para se levantar agora, lavar as mãos, esfregá-las com álcool e voltar para a cama. fica na dúvida se ao acordar será capaz de abrir os olhos e enxergar o relógio por saber secretamente que coçou os olhos com os dedos. pode jurar que não. ontem, depois de ontem, depois de ter passado a tarde com aquelas crianças na dúvida se a viam pouco ou nada, com uma roupa escolhida especialmente para a ocasião, percebeu que, afinal, ninguém poderia ver a tal roupa. até que um menino apontou: olha só a loura, e ela percebeu que, ao contrário do que pensava, talvez a vissem um pouco que fosse. o rapaz usa uma corrente dourada e tira o boné para sair mais bonito na foto. a menina bem novinha tem as unhas roxas metalizadas e quer ser atriz quando crescer. ela é quem mais vê, poderia estudar em uma escola normal, mas tem uma doença degenerativa, aos poucos vai enxergar cada vez menos, e todos sabem disso, saberá ela também? decide que não vai sentir pena, ninguém aqui está pedindo pena, amanhã ao acordar também não vai enxergar nada.

Comentários:
ao acordar, a pena, leve e suave desfazendo a condolência, de tarde é um voar para além desses olhos, pois a beleza mais de verniz, é aquela ali quietinha, nua e bem guardada: numa caixinha de segredos, esmiuçada de tanta bobagem, as fitas coloridas do seu sorrir...
 
oi alice, já tem um tempinho que não venho aqui... gosto muito da fluidez das suas micro-ficções! vem vindo um livro de contos aí? bjs!
 
ei, não dá pra assinar feed do seu blog?
 
belíssimo retrato da vida.

como sempre, continue a voar, alice!

um beijo.
 
Alice, primeira vez que venho aqui! tens twitter? Citei um poema teu no meu (twitter/landrademelo).
Não quero perder de vista o que escreves!

Beijo
 
Que bonito tudo aqui.

gostei da simplicidade com as palavras, a intensidade nos versos.

a harmonia do branco.


:)
 
É preciso alargar o olhos pra ler o seu texto.

T.
 
tempo que não vinha aqui. tua escrita minimalista é quase como ter uma casa na árvore.
 
Terá mais ?
 
Que bonito, quase xará.
E da experiência sua?
Fiquei com vontade de saber/ler mais.
Mil beijos
 
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